sexta-feira, 24 de abril de 2015

Lena Dunham e sua voz feminista

 Nada na minha história sugere que eu curtiria babacas.

Não sou muito fã de biografias, aliás, nunca tinha lido uma na minha vida. A ideia de ler sobre a vida de uma pessoa, ainda mais quando é escrita por ela mesma, é muito estranha. Mas não foi isso que aconteceu ao ler este livro. Lena Dunham é uma mulher fantástica que me fez adorá-la ao ponto de economizar capítulos para não chegar ao fim.

"Não Sou Uma Dessas", Not That Kind of Girl no original, não é exatamente uma autobiografia, mas uma série de relatos hilários e bem sinceros da vida da autora, a grande criadora de Girls, aquela série de TV fantástica que passa na HBO.

Tenho 20 anos e me odeio. Meu cabelo, meu rosto, o formato da minha barriga. A maneira como minha voz soa hesitante e meus poemas soam piegas. A maneira como meus pais falam comigo num tom ligeiramente mais formal do que o que usam com minha irmã, como se eu fosse uma funcionária pública surtada e que, se for pressionada demais, talvez exploda os reféns que deixei amarrados no porão.

O livro é dividido em 5 seções: Amor & Sexo, Corpo, Amizade, Trabalho e  Panorama. Na primeira parte, que é a minha favorita, Lena, que é feminista, se expõe ao máximo falando da perda de sua virgindade, todas as suas paixões, sofrimentos e é bem franca em relação aos (muitos) homens que já amou.

Mas também acho que, ao embarcarmos em relacionamentos íntimos, fazemos uma promessa humana básica de sermos decentes, de segurarmos um espelho gentil para o outro, de sermos respeitosos enquanto exploramos um ao outro.

Já na segunda seção ela fala de seu corpo imperfeito, das tentativas de chegar ao modelo padrão imposto pela sociedade e do quanto ela fora infeliz com esses experimentos, tendo um capitulo de seu livro intitulado "Dieta" é um palavrão.

Observações: Enlouqueci por completo e comi tudo o que tinha pela frente.

A terceira parte do livro vai falar sobre suas experiencias com outras mulheres, seu "quase" lesbianismo, sua relação com sua irmã e suas amizades em geral. Dunham, em todo o livro, faz algumas listas do tipo "13 coisas que aprendi que não se deve dizer aos amigos" que são bem divertidas e nos faz relaxar depois de ler coisas densas como um estupro que ela sofrera.

Trabalho trata desde suas desventuras na juventude ao estrelato como diretora e criadora da sua série de sucesso. A autora conta de sua experiencia trabalhando em uma loja de artigos para bebês que parece ser o emprego dos sonhos e é fantástico como ela descreve tudo. E por fim o Panorama de tudo de sua vida, onde ela comenta sobre suas experiencias indo a terapeutas e seus relacionamentos com os mesmos, passando por uma conversa sobre morte e medo de morrer, terminando num guia pra fugir de casa quando você tem 9 e 27 anos.

Por ser estudante de Letras, assim como a autora, me identifiquei bastante em várias partes, não só pelo lado profissional, mas com todos os medos e inseguranças que Lena expõe de uma forma tão aberta e honesta. Em suma, Não Sou Uma Dessas, é um livro extremamente bem escrito, com uma mensagem muito boa, lhe fazendo refletir sobre bastante coisa na sua vida e querer ler mais sobre essa mulher fantástica.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

O livro que todo jovem-adulto deve ler

Mais um livro pra adicionar à lista dos que encontrei por acidente. “Aristóteles e Dante Descobrem os Segredos do Universo” me conquistou logo de cara pelo título com o nome de dois grandes autores deste mundo em que vivemos e imaginar ambos descobrindo os segredos do universo despertou mais ainda meu interesse. Sem falar da capa maravilhosamente bem feita com todos aqueles detalhes mexicanos. 
O livro, publicado em 2012 nos EUA e em 2014 aqui no Brasil, é do escritor americano Benjamin Alire Sáenz. 

“Dante sabe nadar. Ari não. Dante é articulado e confiante. Ari tem dificuldade com as palavras e duvida de si mesmo. Dante é apaixonado por poesia e arte. Ari se perde em pensamentos sobre seu irmão mais velho, que está na prisão.Um garoto como Dante, com um jeito tão único de ver o mundo, deveria ser a última pessoa capaz de romper as barreiras que Ari construiu em volta de si. Mas quando os dois se conhecem, logo surge uma forte ligação. Eles compartilham livros, pensamentos, sonhos, risadas - e começam a redefinir seus próprios mundos. Assim, descobrem que o amor e a amizade talvez sejam a chave para desvendar os segredos do Universo.”

 É praticamente sobre tudo isso que o livro se trata. Por ser um livro voltado ao público infanto-juvenil, perdoei todas as falhas de narração e diálogos desnecessários, vesti minha fantasia de adolescente aos 15 anos em busca de sua identidade e lugar ao sol e aproveitei ao máximo a leitura. Foram poucas horas pra devorar pouco mais de 300 páginas deste livro que narra perfeitamente bem os medos, conflitos e questionamentos existentes nessa fase da vida. Os diálogos entre Dante, que é um personagem maravilhoso e muito bem construído ao longo da história, e Aristóteles são extremamente verdadeiros e imagináveis. A forma como Ari guarda todos os sentimentos e pensa muito neles quando está sozinho é bem similar ao que acontece quando se é adolescente. Sem contar nas vezes que o narrador nos surpreende com coisas que você não está preparado pra saber e lhe joga como se fosse nada.

 “Amo nadar – Dante repetiu. Depois, ficou em silencio por uns instantes. E então continuou: - Amo nadar... E você.” 

                Enfim, não vou contar mais coisas sobre a história pra não soltar spoiler, até porque desejo que todos os meus leitores (e) amigos leiam, sabendo logo que o livro tem uma história linda, porém voltada ao público jovem, não esperem por narração, diálogos e construção de cenários como nos livros da Jane Austen, por exemplo. Espero que assim como eu, você devore este livro maravilhoso sobre amor, amizade e pessoas que transformam a vida da outra.



P.S.: Espero que o livro ganhe uma adaptação cinematográfica e consiga uma fama tão maior quanto a dos best-sellers atuais, mesmo por se tratar de um assunto ainda complicado que é a homossexualidade, porque tem um conteúdo maravilhoso e que todo jovem deveria ler em sua adolescência, pra ajudar até mesmo a se entender e ver que não está sozinho neste mundão. 

terça-feira, 24 de junho de 2014

E no hype das distopias, eis uma novidade

Fiquei eufórico quando, em uma de minhas muitas buscas por livros na internet, me deparei com isso na capa: "Fans of the Hunger Games will love it!" (Fãs de Jogos Vorazes irão adorá-lo!) dito por algum jornalista. Grande fã de distopias (tanto as clássicas como as novas) que sou, não pensei duas vezes e o comprei. Devorei-o em duas tardes.

"Starters", que não possui tradução do titulo para o português, é uma distopia da escritora Lissa Price. O livro nos conta a história de Callie pelo seu ponto de vista. A Guerra de Esporos, onde vírus foram lançados por todos os EUA, matou todos aqueles que não foram vacinados, e como o governo estava vacinando apenas crianças e idosos, por serem prioridade, pessoas de 20 a 60 anos foram mortas. Surgindo a partir dai novas classes de habitantes: Starters e Enders. Os Starters são crianças e adolescentes, enquanto os Enders são os idosos. Aqueles Starters que não tinham avós Enders para cria-los viram-se obrigados a viver sozinhos, clandestinamente, ou presos em Instituições que não eram os melhores locais para estar. Callie é uma desabrigada lutando a cada dia por sua sobrevivência e a de seu irmão doente. A história se dá inicio com a protagonista desesperada por dinheiro indo até a Prime Destionations: uma “empresa” feita como intuito de Starters alugarem seus corpos para Enders usarem por certo período. Não se sabe ao certo, na história, como fora descoberta essa tecnologia, mas a premissa é simples: o jovem vai até lá, assina um contrato, implanta um chip em sua cabeça, deita-se e dorme, dai, quando acorda, uma semana, um mês ou até mesmo um ano depois (depende do tempo de aluguel), o jovem não se lembra de nada que seu corpo fizera, mesmo sabendo que algum Ender entrou em sua mente e aproveitou os prazeres de um corpo jovem. Claro que existem coisas que os Enders não podem fazer durante o aluguel, tal como matar alguém, fazer sexo, ou qualquer outra coisa que ponha o corpo do Starter em risco. O grande problema é quando o chip implantado em Callie começa a dar defeito e ela acorda tempos antes de seu aluguel terminar, sem ter ideia de onde está e usando a identidade que sua locatária havia adotado durante o empréstimo de seu corpo. De imediato a garota decide voltar à Prime Destinations para avisa-los de que algo de errado aconteceu, porém uma “voz” dentro dela, que diz ser sua locatária, lhe conta que se ela for até lá, eles a matarão. No desenrolar da história muitas coisas interessantes acontecem, e os planos de sua locatária, Helena, são bem mais sombrios do que Callie imaginava. Como toda história infanto-juvenil, Callie vive um triangulo amoroso entre Michael, seu melhor amigo, e Blake, neto de um senador rico e importante. O final é surpreendente, mesmo não sendo o fim definitivo, já que a história possui uma sequência.

Lissa não se compara a Dostoievski, Poe ou Kerouac, mas conseguiu entregar uma história muito boa para o publico que ela queria: jovens. Falhando algumas vezes na falta de informações e de aprofundamento na construção de seus personagens, Starters é uma distopia boa que poderia ser bem melhor.  

segunda-feira, 10 de março de 2014

Adentrando na (ótima) literatura sueca

Há dois anos, estava eu na casa da minha tia assistindo a um dos melhores filmes que já vi. Assistia a “Millenium – Os homens que não amavam as mulheres”, um filme lançado em 2011 e estrelado por Daniel Craig (007) e Rooney Mara. Dirigido por David Fincher (Clube da Luta), o longa prendera-me do começo ao fim e me deixou louco com o desenrolar da história. Finalmente consegui emprestado com uma amiga (VALEU NAYANE!) o livro que originou o filme e, após algumas pesquisas, descobri que o autor publicara mais dois volumes da saga Millenium (que ainda lerei e postarei aqui) e estava escrevendo o 4º volume, mas infelizmente morrera vítima de um ataque cardíaco (trágico!).

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Ray Bradbury e sua magnífica visão do futuro

E então, muito lentamente, à medida que caminhava, inclinou a cabeça para trás na chuva, apenas por um momento, e abriu a boca...

É com esta célebre e magnífica citação que eu inicio meu texto sobre um dos melhores livros que já li em toda minha vida: Fahrenheit 451 (a temperatura na qual o papel do livro pega fogo e queima...).

Sempre pesquiso alguns livros pequenos e interessantes pra ler em pouco tempo já que tenho uma meta de leitura bem gorda e estou sempre disposto a devorar livros, então descobri que este livro poderia ser lido em um dia e eu consegui lê-lo em um dia, até porque depois que comecei, a vontade de parar era inexistente. 
 “Fahrenheit 451”, escrito em 1953, pelo Ray Bradbury, é uma distopia futurista (para os que não sabem, distopia é um processo discursivo que fala simplesmente sobre o contrário de utopia: um mundo em que ninguém quer viver) em que a grande lei que rege este mundo é a de que livros são proibidos. Em hipótese alguma você deve possuir livros nem lê-los e caso o faça, sofrerá consequências. A história fala de Guy Montag, um “bombeiro” que, neste novo mundo, serve apenas para atear fogo em livros. As casas são à prova de fogo e de acordo com o que é passado pra eles, sempre foi assim. Pessoas alienadas, presas apenas às suas televisões e programas que você é forçado a assistir e uma falta de dialogo entre marido e mulher são coisas muito presentes neste livro onde tudo se aceita e tudo está bem. Até que, em certo momento, o protagonista encontra uma vizinha, a Clarice, com apenas 17 anos, que aparenta ser diferente de todos aqueles que o rodeiam, pois ela conversa, tem dúvidas e acaba despertando-as também em Montag. Dai a citação do começo do post: Montag começa a prestar atenção e a vivenciar pequenos detalhes da vida que antes lhe passavam despercebido. Sem querer entregar spoilers, até porque recomendo esta leitura a todo mundo, o livro desenvolve a revolta do personagem principal em relação a tudo que ele se vê obrigado a fazer e deixa bem claro os conflitos consigo mesmo. No decorrer da história, Montag acaba conhecendo um antigo professor, chamado Faber, que se torna um tipo de “mentor” nesta sua jornada em busca da sabedoria proibida. A partir daqui, qualquer outra revelação se tornará spoiler, mas garanto que não desaponta em momento algum, o final é esplêndido e me fez ficar pensando muito na vida. Um mundo sem poder ler, ah pesadelo.
Espero que todos deem uma chance a este grande livro que, mesmo publicado em 1953, ainda nos desperta tantas dúvidas e nos faz questionar bastante sobre o mundo em que vivemos e a forma com a tecnologia vem se apossando de pequenos atos.

Acho que como todos os livros que tenho postado aqui no blog, este livro TAMBÉM possui uma adaptação cinematográfica, cujo nome é o mesmo do livro e é dirigido por François Truffau, lançado em 1966. Como não tenho muita paciência pra filmes, um dia o assistirei e comentarei algo aqui no blog. A seguir confiram o trailer do filme:


segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

A eterna Bonequinha de Truman Capote

Recebo indicações de livros através de vários lugares: amigos no Facebook, amigos no Twitter, vídeos no Youtube, leituras do mês de alguém que sigo etc. Numa dessas indicações eu me deparo com "Bonequinha de Luxo" do Truman Capote que finalmente li no Kindle e decidi falar aqui.

Bonequinha de Luxo ou Breakfast at Tiffany’s é um livro publicado em 1958 pelo escritor americano Truman Capote que conta a história de Holly Golightly através de seu vizinho, um escritor, que convive com ela de forma estranha. O narrador-personagem não possui um nome, só é apelido de Fred, nome do irmão de Holly e assim segue contando a história dessa garota em seus 19 anos de idade vivendo loucuras atrás de seu lugar no mundo, sua grande felicidade, em meio a vários homens ricos e festas exuberantes. Com o decorrer dos fatos, o narrador se demonstra um grande bobo apaixonado pela personagem principal e, através de algumas conversas, subentende-se que a garota é uma prostituta. Mas nem isso faz com que “Fred” deixe de deseja-la. Com uma escrita fenomenal, a minha parte favorita fora quando um personagem importante da trama (sem soltar spoiler) que “perdeu” Holly, cujo nome nem é este mesmo, fala como ela fugiu dele:

 “Ficar olhando pr’aquelas fotos de gente famosa. Lendo esses sonhos. Foi aí que ela começou a andar pela estrada. Todo dia andava um pouco mais. Um quilômetro, e voltava. Dois quilômetros, e voltava. Um dia, ela simplesmente continuou andando.”
Esse trecho marcou bastante minha leitura, pois mostra a vontade que todos temos de ir adiante, nos aventurarmos no desconhecido e descobrirmos um mundo totalmente novo. E assim é a vida de Holly Golightly que uma hora está bem cavalgando pela cidade de Nova Iorque e que em outra está presa por infortúnio do destino ou até mesmo fugindo pro Brasil! Indico a todos aqueles que gostam de romances platônicos e narrações gostosas.

Bonus: Existe um filme homônimo baseado no livro, estrelado por Audrey Hepburn e lançado em 1961. Pelos comentários, o filme parece ser bem parecido com o livro e é recomendado por todos aqueles que lerem e o assistiram. Logo que eu puder assistir ao filme eu atualizarei este post dando minha opinião sobre ambos. Fiquem com o trailer do filme e opinem sobre o livro E o filme nos comentários!



 

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

As crianças desafortunadas de Lemony Snicket

Lembro-me sempre das tardes com minha mãe, quando eu era um pré-adolescente, em que assistíamos a esse filme muito legal e fascinante na Sessão da Tarde, mas era impressionante como eu nunca conseguia assistir ao filme desde o começo pois sempre chegava "atrasado". Estou falando de Desventuras Em Série, um filme de 2004 com Jim Carrey como o grande vilão da trama. Anos se passaram e decidi então ler os 13 volumes das "Desventuras em Série" e terminei o primeiro volume há pouco.

"Mau Começo" é o primeiro livro da série e inicia-se com a trágica notícia de que os pais das crianças Baudelaire morreram em um incêndio. Agora os três: Violet, que é uma garota que inventa coisas, Klaus, que é um grande leitor, e a bebê Sunny, que é uma grande mordedora, herdeiros de uma grande fortuna, sem veem obrigados a morar com um primo de terceiro ou quarto grau chamado Conde Olaf que é extremamente feio e assustador. O novo tutor das crianças, com o decorrer da história, mostra-se muito mau e faz das crianças escravos, os obrigando a cozinhar, limpar a casa, cortar lenhas e a fazer muitos outros trabalhos. Vivendo num quarto com apenas uma cama, as crianças intercalam entre o chão e o colchão furado enquanto a pequena Sunny dorme em um amontoado de cortinas. O desfecho do primeiro livro se dá durante uma peça em que as crianças são obrigadas a participar e que fora apenas uma fachada para o plano do conde de roubar a fortuna dos órfãos. Porém, com a inteligência exacerbada da pequena Violet, as crianças se safam, pelo menos por enquanto, do maldoso vilão.

A história é muito bem escrita, o autor é muito bem humorado mesmo em meio a tantas desgraçadas que rondam as crianças e, como o livro é pequeno, em menos de um dia dá pra lê-lo sem problemas, até porque o enredo é instigante e te faz querer saber logo o final. Recomendo-o para todos os amantes de uma leitura leve e descompromissada. Breve pretendo fazer um post sobre os três primeiros livros que servem de enredo para o filme e tentarei fazer uma comparação de ambos.