terça-feira, 24 de junho de 2014
E no hype das distopias, eis uma novidade
Fiquei eufórico quando, em uma de minhas muitas buscas por livros na internet, me deparei com isso na capa: "Fans of the Hunger Games will love
it!" (Fãs de Jogos Vorazes irão adorá-lo!) dito por algum jornalista.
Grande fã de distopias (tanto as clássicas como as novas) que sou, não pensei duas vezes e o comprei. Devorei-o em duas tardes.
"Starters", que não possui tradução do titulo para o português, é uma distopia da escritora Lissa Price. O livro nos conta a história de Callie pelo seu ponto de vista. A Guerra de Esporos, onde vírus foram lançados por todos os EUA, matou todos aqueles que não foram vacinados, e como o governo estava vacinando apenas crianças e idosos, por serem prioridade, pessoas de 20 a 60 anos foram mortas. Surgindo a partir dai novas classes de habitantes: Starters e Enders. Os Starters são crianças e adolescentes, enquanto os Enders são os idosos. Aqueles Starters que não tinham avós Enders para cria-los viram-se obrigados a viver sozinhos, clandestinamente, ou presos em Instituições que não eram os melhores locais para estar. Callie é uma desabrigada lutando a cada dia por sua sobrevivência e a de seu irmão doente. A história se dá inicio com a protagonista desesperada por dinheiro indo até a Prime Destionations: uma “empresa” feita como intuito de Starters alugarem seus corpos para Enders usarem por certo período. Não se sabe ao certo, na história, como fora descoberta essa tecnologia, mas a premissa é simples: o jovem vai até lá, assina um contrato, implanta um chip em sua cabeça, deita-se e dorme, dai, quando acorda, uma semana, um mês ou até mesmo um ano depois (depende do tempo de aluguel), o jovem não se lembra de nada que seu corpo fizera, mesmo sabendo que algum Ender entrou em sua mente e aproveitou os prazeres de um corpo jovem. Claro que existem coisas que os Enders não podem fazer durante o aluguel, tal como matar alguém, fazer sexo, ou qualquer outra coisa que ponha o corpo do Starter em risco. O grande problema é quando o chip implantado em Callie começa a dar defeito e ela acorda tempos antes de seu aluguel terminar, sem ter ideia de onde está e usando a identidade que sua locatária havia adotado durante o empréstimo de seu corpo. De imediato a garota decide voltar à Prime Destinations para avisa-los de que algo de errado aconteceu, porém uma “voz” dentro dela, que diz ser sua locatária, lhe conta que se ela for até lá, eles a matarão. No desenrolar da história muitas coisas interessantes acontecem, e os planos de sua locatária, Helena, são bem mais sombrios do que Callie imaginava. Como toda história infanto-juvenil, Callie vive um triangulo amoroso entre Michael, seu melhor amigo, e Blake, neto de um senador rico e importante. O final é surpreendente, mesmo não sendo o fim definitivo, já que a história possui uma sequência.
Lissa não se compara a
Dostoievski, Poe ou Kerouac, mas conseguiu entregar uma história muito boa para
o publico que ela queria: jovens. Falhando algumas vezes na falta de
informações e de aprofundamento na construção de seus personagens, Starters é
uma distopia boa que poderia ser bem melhor.



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