quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
Ray Bradbury e sua magnífica visão do futuro
E então, muito lentamente, à medida que caminhava, inclinou a cabeça para trás na chuva, apenas por um momento, e abriu a boca...
É com esta célebre e
magnífica citação que eu inicio meu texto sobre um dos melhores livros que já
li em toda minha vida: Fahrenheit 451 (a temperatura na qual o papel do livro pega fogo e queima...).
Sempre pesquiso
alguns livros pequenos e interessantes pra ler em pouco tempo já que tenho uma
meta de leitura bem gorda e estou sempre disposto a devorar livros, então
descobri que este livro poderia ser lido em um dia e eu consegui lê-lo em um
dia, até porque depois que comecei, a vontade de parar era inexistente.
“Fahrenheit 451”, escrito em 1953, pelo Ray
Bradbury, é uma distopia futurista (para os que não sabem, distopia é um
processo discursivo que fala simplesmente sobre o contrário de utopia: um mundo
em que ninguém quer viver) em que a grande lei que rege este mundo é a de que
livros são proibidos. Em hipótese alguma você deve possuir livros nem lê-los e
caso o faça, sofrerá consequências. A história fala de Guy Montag, um
“bombeiro” que, neste novo mundo, serve apenas para atear fogo em livros. As
casas são à prova de fogo e de acordo com o que é passado pra eles, sempre foi
assim. Pessoas alienadas, presas apenas às suas televisões e programas que você
é forçado a assistir e uma falta de dialogo entre marido e mulher são coisas
muito presentes neste livro onde tudo se aceita e tudo está bem. Até que, em
certo momento, o protagonista encontra uma vizinha, a Clarice, com apenas 17
anos, que aparenta ser diferente de todos aqueles que o rodeiam, pois ela
conversa, tem dúvidas e acaba despertando-as também em Montag. Dai a citação do começo
do post: Montag começa a prestar atenção e a vivenciar pequenos detalhes da
vida que antes lhe passavam despercebido. Sem querer entregar spoilers, até porque recomendo esta leitura a todo
mundo, o livro desenvolve a revolta do personagem principal em relação a tudo
que ele se vê obrigado a fazer e deixa bem claro os conflitos consigo mesmo. No
decorrer da história, Montag acaba conhecendo um antigo professor, chamado
Faber, que se torna um tipo de “mentor” nesta sua jornada em busca da sabedoria
proibida. A partir daqui, qualquer outra revelação se tornará spoiler, mas
garanto que não desaponta em momento algum, o final é esplêndido e me fez ficar
pensando muito na vida. Um mundo sem poder ler, ah pesadelo.
Espero que todos deem
uma chance a este grande livro que, mesmo publicado em 1953, ainda nos desperta
tantas dúvidas e nos faz questionar bastante sobre o mundo em que vivemos e a
forma com a tecnologia vem se apossando de pequenos atos.
Acho que como todos
os livros que tenho postado aqui no blog, este livro TAMBÉM possui uma
adaptação cinematográfica, cujo nome é o mesmo do livro e é dirigido por
François Truffau, lançado em 1966. Como não tenho muita paciência pra filmes,
um dia o assistirei e comentarei algo aqui no blog. A seguir confiram o trailer
do filme:



Meu amigo, fiquei com muita vontade de ler esse livro, gosto quando as coisas vão pelo caminho metalinguístico e se apropriam dessas auto críticas! Ótima review!
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